O SEGREDO PARA SER CORAJOSO

Já que ontem eu falei sobre medo, hoje o tema será coragem.

Tenho a impressão de que a coragem é tratada de uma forma meio mística, como se apenas alguns seres humanos especiais tivessem sido selecionados para ter essa característica.

Eu, inclusive, até pouquíssimo tempo não me considerava uma pessoa corajosa. Foi a partir de um raciocínio construído pelo professor Cabrera, em uma aula da pós graduação, que eu subitamente percebi que a coragem estava muito presente nas minhas escolhas de vida.

Na ocasião, o professor nos recomendou fazer uma autobiografia a fim de reconhecer os nossos ciclos de vida. À medida que buscava informações a meu respeito, constatei que na maioria das vezes em que precisava tomar uma decisão sempre optava pelo caminho mais difícil.

Por exemplo, aos 10 anos de idade tive que escolher entre morar com os meus pais e comprometer minha educação (já que eles haviam se mudado para uma cidade onde as condições de ensino eram terríveis) ou abrir mão do conforto da minha casa e passar a morar com os meus avós, a fim de estudar em uma escola mais estruturada. Adivinha o que eu decidi?

Aos 13 anos tive a oportunidade de mudar para o Mato Grosso do Sul, a convite de uma tia. Seria algo extraordinário considerando os meus sonhos profissionais, só que ficaria a 3.000km de distância do meu principal núcleo familiar. Já dá pra saber o que eu fiz, não é mesmo?!

Aos 16 anos, ganhei uma bolsa de estudos para uma faculdade particular, mas optei por fazer cursinho e continuar estudando para entrar em uma universidade pública. Ouvi de muitas pessoas que eu era completamente louca, já que tinha estudado a vida inteira na escola pública. Eu preferi “pagar pra ver” e um ano depois estava fazendo a matrícula em Direito na UFMS.

Quando chegou o momento de tirar a habilitação, decidi que queria carro e moto. Teve uma grande parte da família que super me ‘zuava’, me chavama de barbeira e dizia que eu não conseguiria… De fato, não posso dizer que piloto bem uma moto, mas a minha carteira A está garantida!

Tenho muito medo de altura, mas já fui passear no topo da Table Moutain e fiz uma caminhada pelas montanhas do Cabo da Boa Esperança.

No topo da Table Mountain
Na trilha do cabo da Boa Esperança

Tenho muito medo de avião, mas nunca deixei de viajar por causa disso. Embarco tremendo, fecho os olhos na decolagem e são poucas as vezes em que contemplo a paisagem pela janela… Falando nisso, quase tive um ‘passamento” quando inventei de sobrevoar os lençóis maranhenses de monomotor..

Sou ligeiramente claustrofóbica, mas fiz uma passeio de submarino…

Também caminhei com leões quando fui pra Ilhas Maurício…

E além de tudo isso, tomei banho gelado no oceano índico (vejam a minha cara de satisfação):

Também tive a coragem de terminar um relacionamento com a pessoa que eu tinha total convicção de que amava (sofri lascada), porque sentia que não era o melhor momento (hoje nós somos casados, ambos percebemos o que estávamos perdendo haha).

Não vou nem mencionar as inúmeras vezes em que fui desprezada ou rejeitada por ter assumido determinados tipos de posicionamento…

As minhas histórias de vida me fizeram perceber que a minha coragem não é inata, ela sempre esteve associada a um tipo de benefício que eu vislumbrava. Ou seja, na minha opinião, o segredo para ser corajoso é:

APRENDER A SE QUESTIONAR E TER UM OBJETIVO CLARO EM MENTE

Pensando nisso, te proponho as seguintes perguntas:

O que você quer? Por que isso é importante para você?

Quem, além de você, será beneficiado com os resultados da sua coragem?

A longo prazo, o que será mais compensador para você: a coragem para avançar e superar limites ou a estagnação por ocasião do medo?

Que estratégias você pode adotar para tornar a sua escolha menos sofrível?

Com quem você pode contar para trilhar esse novo caminho?

Quando o desânimo bater, o que você poderá fazer para se recarregar emocionalmente ?

Que histórias você deixará de contar porque não ousou confrontar o medo?

Quem você poderia se tornar?

Quem você poderia ajudar, se não tivesse medo?

Não posso dizer que ter coragem é fácil, mas posso dizer que ser corajoso é muito melhor do que viver aprisionado pelo medo. É uma questão de escolha. No final das contas, o ato mais corajoso é ousar ter objetivos.

Vou terminar esse texto com uma musica bem sugestiva: TRAMPOLINE

Pra ti que me leu até o final, mil beijinhos!!

“Ai que meda”

No post anterior eu prometi que hoje te contaria um medo que superei em 2019 e te daria uma dica sobre como administrar seus próprios medos e viver com mais leveza em 2020.

Já falei uma dezena de vezes por aqui que eu sou alguém que teve que aprender a lidar com a síndrome do pânico, ansiedade e depressão. Portanto, o medo é algo muito presente na minha vida, em diferentes dimensões.

Eu sinceramente acredito que a melhor maneira de lidar com esse sentimento que pode ser destruidor, é estabelecendo uma escala de intensidade para que saibamos reconhecê-lo em seus diferentes níveis hierárquicos e assim discernir o momento de recorrer a um profissional habilitado para nos ajudar a confrontá-lo.

Uma vez estabelecido isso, entenda: a minha forma de lidar com o medo pode ser irrelevante para o seu caso, uma vez que o medo é algo extremamente pessoal e circunstancial. Aquilo que para mim representa um terror de nível clínico, pode ser para você um simples desconforto.

De qualquer forma, a minha dica pra você aprender a administrar os seus próprios medos e viver com mais leveza em 2020 é :

CRIE O SEU PORTFÓLIO DE MEDOS!

Sim! Escreva sobre o que você sente, quando sente (gatilho), como sente e onde sente (em que parte do seu corpo a reação de medo se evidencia).

Atribua notas de 1 a 10 para a intensidade das sensações, considerando as experiências que já vivenciou anteriormente.

Preveja as situações e pense antecipadamente sobre como você poderia reagir para combater a paralisia e o mal-estar.

Escreva sobre os eventuais cenários: qual a pior coisa que poderia acontecer? qual a melhor coisa? qual a mais provável?

Ao fazer isso você estará adotando uma postura mais racional, movendo as informações do seu sistema límbico, que é puramente emocional, para o neocórtex pré-frontal, que é a parte do cérebro responsável pelo planejamento de comportamentos e pensamentos complexos.

O simples fato de listar os seus medos e confrontá-los no papel te ajudará a perceber que na grande maioria das vezes é você quem está no controle. E naquelas vezes em que não depender de você, é só respirar profundamente, contar até 10 e repetir para si mesmo: vai passar!

Quero deixar muito claro que essa dica não tem a pretensão de desconsiderar uma abordagem psicológica mais aprofundada.

Finalmente, é hora de compartilhar com você um super medo que eu confrontei em 2019:

O MEDO DE ‘DIRIGIR NA ESTRADA’.

Faz dois anos e meio que moro no interior de MS e até meados de 2019 eu não ousava dirigir sozinha na BR, o que me limitava bastante, especialmente nessa nova rotina de empreendedora.

No final de julho eu fui contratada para ministrar um treinamento no interior do Maranhão. Eu chegaria por volta das 16h em São Luis e teria que contar com a sorte de ter algum transporte disponível para o trajeto até a cidade onde meus pais moram, que fica a uns 370 KM da capital.

Eu já tinha repetido o roteiro de “esperar pela van” todas as vezes em que ia visitar os meus pais no Maranhão e isso sempre me deixava super estressada por causa de todas as circunstâncias que envolviam esse deslocamento (super lotação, muitas paradas, demora excessiva em percorrer o trajeto, atraso dos demais passageiros, etc…).

Decidi que não chegaria para o treinamento esgotada então teria duas opções: ou eu contrataria um motorista particular ou eu mesma pegaria a estrada. Contratar um motorista seria um comprometimento a mais considerando o meu orçamento…

Resultado: fiz uma pesquisa prévia sobre as condições da estrada, montei uma playlist que me deixava energizada, me ofereci para dar carona para uma amiga (extremamente corajosa, diga-se de passagem), aluguei um Jeep e coloquei o motor 1.8 na estrada!

Me senti absolutamente poderosa, apesar do catastrofismo de todos os meus parentes quando souberam que eu estava dirigindo pela esburacada 316-MA!

Encarei o medo, morrendo de medo! Sobrevivi!!! Depois dessa primeira experiência, comecei a me sentir mais confortável dirigindo pelas BR’s sozinhas… Inclusive, vivo me oferecendo para assumir o volante no lugar do meu marido!

Descobri que a maioria dos medos que tenho pode nunca se realizar.. e quando acontecer, se acontecer e eu sobreviver, aprenderei a administrar.

Por fim, também indico uma super estratégia que eu aprendi na saga do Harry Potter : Ridicularizar!!

Riddikulus é um feitiço usado conta bichos-papões. O conjurador deve pensar em alguma coisa engraçada quando está lançando o feitiço. Se for bem sucedido, ele força o Bicho-Papão a tomar a forma em que o conjurador estava pensando. Como os bichos-papões se alimentam do medo, eles são derrotados pelo riso, o objetivo do feitiço é tornar o Bicho-Papão motivo de riso”.

Termino esse post com uma sugestão para a sua playlist para dirigir na estrada:

Baby, you can start again
Laughing in the open air
Have yourself another dream
Tonight, maybe we can start again

(…)
And the sun will shine again
Are you looking for a sign?
Or are you caught up in the lie?

Quem me vê dançando assim…

Julho de 2019 chegou e eu confesso que estava contando os dias!

Há mais ou menos um ano eu comecei a direcionar minhas energias para uma transição de carreira e hoje estou celebrando essa escolha!

Eu tinha 17 anos quando escolhi minha profissão e naquela época tudo que me motivava era ter uma boa situação financeira. Eu achava que o melhor meio de obter isso era tendo uma remuneração alta e estar em um cargo que me proporcionasse estabilidade.

Acabei descobrindo alguns anos depois que equilíbrio financeiro tem muito mais a ver com a forma de pensar sobre o dinheiro do que com a quantidade que se ganha.

Também descobri que ter estabilidade, na maneira como eu imaginava, me limitava. Eu estava me sentindo infeliz exercendo um cargo público temporário, entrei em um ciclo de trabalhar pelo dinheiro, detestava as segundas-feiras, sonhava com o “sextou” e torcia desesperadamente pelos feriados.

A melhor coisa que fiz por mim foi reconhecer que não valia a pena continuar estudando para concursos, já que a rotina de trabalho me deixaria extremamente desanimada. O único problema era que passar em um concurso, durante muito tempo, era o meu único plano.

Eu estava me sentindo muito perdida. Ficava horas a fio me justificando, um dia acordava decidida a buscar outro rumo, outro dia estava de volta aos estudos, chorando e me lamentando.

Uma das coisas que me aliviava era o fato de eu sempre estar investindo em autoconhecimento, então naqueles dias muito ruins eu tinha alguns recursos que me ajudavam a ativar um estado emocional positivo e continuar suportando.

À medida que me confrontava, a clareza ia se aproximando. Fui vasculhar o meu repertório, revisitar as coisas que eu mais gostava de ler, conversar e pesquisar. Notei que sempre estive em busca de desenvolvimento pessoal, adorava abordagens que promoviam autoconhecimento e já tinha um vastíssimo repertório em inteligência emocional. Foi a partir dessa incursão que desenvolvi um novo plano.

De lá pra cá, fiz duas formações em coaching e duas em analista comportamental. Tornei-me microempreendedora, atendi pessoas, ministrei palestras e alguns treinamentos de inteligência emocional. Percebi que não precisava mais de despertador pra levantar e fazer o que eu amo.

Eu trabalho ajudando as pessoas a tomarem decisões assertivas, se conhecerem um pouco mais e terem clareza em relação aos seus objetivos. Também as ajudo a montar e desenvolver seus próprios planos. Aplico testes que auxiliam na descoberta de seus padrões de personalidade, forças pessoais, motivadores de carreira, linguagem de valorização, etc… Meu trabalho é ajudar as pessoas a encontrar sentido. E sabe o que é mais legal? Tudo o que eu faço profissionalmente já aconteceu comigo!

Como diria Sol Almeida, “o mundo gira, palmas pras voltas que o mundo dá.. quem me vê dançando assim, mão pra frente, gira gira, tô limpando você da minha vida”... De fato, estou limpando a atuação jurídica da minha vida!

Ao longo dos meus 28 anos, um dos aprendizados mais significativos que tive foi o de honrar e respeitar a minha própria história e é com esse sentimento de honra que eu encerro essa etapa da minha vida.

Conheci pessoas maravilhosas enquanto fiz parte do mundo jurídico, algumas dessas pessoas caminham até hoje comigo. Igualmente, tive experiências maravilhosas, tais como dia que eu descobri que tinha tirado nota máxima na redação da federal, o que me oportunizou a entrada no curso de direito e o dia que eu li meu nome na lista de aprovados da OAB, ainda no nono semestre da faculdade;

Além disso, casei-me com um colega de faculdade, apaixonado pelo Direito. Ganhei uma amiga que virou irmã (Juliana), outras que cuidaram de mim quando tive depressão (Hannah e Nath), uma que me ensinou absurdamente sobre disciplina (Kiane), outra com quem dividi confidências da juventude e que também dirigiu meu carro durante 6 meses até eu conseguir tirar minha habilitação (Ayara).

Eu também desenvolvi pensamentos ideológicos, comecei a entender algumas realidades políticas e sociais e aprendi a me posicionar melhor como cidadã a partir do meu contato com o universo jurídico. Aprendi bastante com minhas especializações em Direito (previdenciário e trabalhista) e me apaixonei por responsabilidade civil e contratos.

Eu tenho uma história incrível com o Direito, que fez muito sentido para mim até certo tempo. Mas o que me move a partir de agora está relacionado a outras competências, que ao longo de um ano, fui me planejando para começa a executar. Chegou a hora! E novamente, valendo-me de uma licença poética “Joga a mão pra cima e gira, gira…“:

Ps.: Estabilidade não existe!!!! Aviões do Forró acabou…Solanja e Xandinho começaram a seguir carreira solo, ouvi dizer que nem são mais amigos… #arrasada.

EU TENHO A FORÇA

Eu comecei a me preparar para minha transição de carreira em meados do ano passado. Fazia bastante tempo que eu estava insatisfeita com os meus resultados profissionais, então comecei a fazer uma série de levantamentos a respeito do meu histórico pessoal, habilidades e pretensões de vida.

Na época eu tinha a começado a ler um livro chamado “O Mensageiro Milionário”, cuja premissa é auxiliar o leitor a aprender a ser remunerado pelos conhecimentos que tem. Achei simplesmente fantástico!

Verifiquei que eu  já tinha um amplo repertório no tocante à inteligência emocional, construído ao longo da minhas experiências  pessoais, jornada de autodescoberta, cursos e leituras. De fato, esse assunto sempre foi pauta nas minhas elucubrações. Visto isso, cheguei a uma conclusão: é hora de morfar!

Aí veio a parte mais difícil: eu não tinha nenhum botão que pudesse apertar e assim me transformar imediatamente em uma versão poderosa, capaz de assumir corajosamente a responsabilidade pela minha escolha. Então, durante algum tempo fiquei apenas

Esperando meu “alter ego” tomar alguma atitude

Finalmente me permiti caminhar no escuro e depois de 7 meses conclui

E a pergunta que eu deveria ter feito muito antes era “ Valéria Cristina, por que você ficou tanto tempo empacada assim?” 

E eu sabia que a resposta seria “por medo”! Mesmo assim,

A despeito disso, no final eu venci!


Virei Pessoa Jurídica e estou trabalhando com desenvolvimento pessoal. E se você quiser entender um pouquinho mais sobre si mesmo, é só me mandar um sinal!

VLWS, FLWS!

P.S. 01: A minha receita de sucesso foi aprendida com Sandy & Junior:

Muita coragem
E agilidade
Lealdade
E sempre em boa forma” .

P.S.02: Eu sempre quis ser a Power Ranger rosa!!!


CORAGEM, MENINA!

Estou abandonando a minha versão enrustida e tímida que durante muito tempo se preocupou com o que os outros iriam pensar ao meu respeito … vão pensar o que quiserem, não vou mais adiar minha vida por causa disso.

Eu não acredito que exista uma única regra para ser bem sucedida. Apesar de ter um repertório acentuado de leituras relativas ao desenvolvimento pessoal, eu nunca segui as “receitas de bolo” à risca. Escolhi valorizar minha individualidade e todas as vezes que tentei me moldar ao que os outros diziam que eu deveria ser, uma parte de mim sucumbia.

Inclusive, esta foi uma das minhas principais motivações para trabalhar com desenvolvimento pessoal: ajudar outras pessoas a descobrir sua essência e viver mais leve a partir disso.

Desenvolver a inteligência emocional foi uma das coisas mais importantes da minha vida. Eu tive que aprender a lidar com a depressão, crises de ansiedade, síndrome do pânico e falta de autoestima. Na minha opinião, grande parte disso se deve ao fato de eu ter ficado presa no medo de bancar minha própria vida.

Durante muito tempo eu não tive clareza sobre quem eu era e o que de fato eu queria fazer com a minha vida. Me fortalecer emocionalmente foi equivalente a desenvolver o mapa do tesouro da Valéria Cristina.

O dia  que eu descobri  os  3 principais valores que regiam a minha vida, eu me senti extremamente poderosa, foi como se eu tivesse ingerido uma alta dose de valentia! E esta é uma pequena parte da minha descoberta sobre quem é a Valéria Cristina:

Alguém que ama poder fazer escolhas e fugir da rotina (liberdade).

Alguém que precisa estar sempre envolvida com algum novo aprendizado para sentir realizada  na vida (crescimento contínuo).

Alguém que procura ser excelente, porque ama o belo, o bem feito e aquilo que supera expectativas (excelência)!

Antes eu achava que ter sucesso era ter um bom emprego e ter dinheiro sobrando pra continuar consumindo depois que eu pagasse minhas dívidas. Demorou pra entender que esse pensamento era proveniente do monte de privação que eu tinha passado na vida. 

Minha definição de sucesso foi  atualizada: tenho alguém que me ama, me aceita e na maioria das vezes me patrocina  (que me perdoem as feministas).  Tenho liberdade para escolher, para crescer e me desenvolver nas áreas que me interessam e tenho todas as ferramentas para fazer isso com a excelência que me motiva.  

“Sou privilegiada sim”,  e isso se deve ao fato de ter aprendido a me posicionar e viver de acordo com o que de fato eu queria.

Sou privilegiada porque tive coragem de me conhecer e assumir que eu sofria.  

Tive coragem de esperar pra me relacionar com alguém que tivesse valores compatíveis com os meus, que aceitasse a minha bagagem emocional, que me defendesse e me reorientasse quando estivesse perdida.

Tive coragem de desbravar uma nova cultura e procurar um sentido para a minha vida. 

Saí do Maranhão com 13 anos de idade querendo estudar pra ter um bom emprego, ganhar dinheiro e ter uma boa vida.

Cheguei aos 28 com uma rede de apoio, milhares de sorrisos, lágrimas e páginas lidas.

Percebi que aquela menina de 13 anos jamais imaginou que a vida seria tão mais colorida! Se eu pudesse dar mais um conselho pra ela, eu diria “Não esconda a sua coragem menina”.

2018, O ANO QUE EU DECIDI “SAIR DO ARMÁRIO”

Eu tinha 27 anos. Há 9 deles estava sofrendo com a indefinição, foi um processo demorado e doloroso, mas eu finalmente me assumi, é tão maravilhoso “sair do armário!”

Lembro-me muito bem da cara de choque do meu marido, a primeira coisa que ele me perguntou foi: “o que aconteceu contigo”?!

Eu tinha acabado de vivenciar mais um momento “Eureka”. Estava em  uma formação de coaching, e naquele dia tinha feito uma ferramenta chamada  linha do tempo. A partir dela, consegui juntar os fios soltos da minha história e era o que eu precisava pra me posicionar em relação a algo que me incomodava há bastante tempo.

Minha história é marcada por reiteradas incursões de autoconhecimento. Essa vontade insaciável de descobrir  minha essência e qual é meu papel no mundo me acompanha por longa data.

Aos 13 anos saí do Maranhão com um plano bem definido. Minha meta envolvia morar em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, concluir o ensino médio, fazer faculdade, arrumar um bom emprego, comprar uma Pajero Full, ter uma coleção de Tailleur e outra de vestidos tubinho.

Pois bem, terminei o ensino médio, passei em Direito na UFMS, mas no segundo ano de faculdade meu plano perdeu o sentido, já que eu não me identificava com minha escolha profissional.

Durante a faculdade tive que aprender a administrar a depressão, crises de ansiedade e síndrome do pânico. Eu não tinha perspectiva de futuro, apesar de me considerar uma pessoa com ótimos resultados até então. Era a “retirante nordestina” que tinha feito escola pública e passado no vestibular da Federal com nota máxima na redação.

Fiquei no Direito com uma única motivação: estabilidade! Coloquei na cabeça que tudo que eu precisava fazer era passar em um concurso e depois disso ficaria livre pra pensar sobre vida, já que dinheiro não seria mais uma preocupação.

A faculdade acabou em dezembro de 2013, eu tinha passado na OAB uns 06 meses antes, então tudo que eu sentia era uma grande pressão. Não gostei da minúscula experiência que tive com a advocacia e assim reforcei minha crença de que passar em um concurso era minha única opção.

Nesse  período de  pós faculdade eu fiz terapia, me envolvi com processos de coaching, fiz aula de teoria musical, clarinete, saxofone, automaquiagem, passei em um processo seletivo e cursei durante um semestre um curso de “técnico em cozinha”. Aprendi a administrar melhor meu dinheiro, maratonei várias séries, li dezenas de livros, dei aula na igreja  e no tempo que sobrava eu recorria ao meu material:  Como passar em provas e concursos.

Não precisava de muita observação para perceber que eu não tinha vontade nenhuma de ser aprovada em um concurso público. O fato é que durante todo esse tempo eu nunca tive o comprometimento necessário com o desafio de alcançar uma nomeação. Eu não me considerava irresponsável, meu único problema era a ausência de realização quando eu me imaginava na rotina de funcionária pública.  

Até meados de 2018 eu flertei com meu lado sombrio de concurseira (risos de nervoso…por que cargas d ‘agua perdi tanto tempo?!). Eu sabia que não queria ser funcionária pública mas tinha medo de largar a única chance que eu tinha de obter estabilidade.

Certo dia, em uma dessas voltas que o mundo dá, tive contato com uma escola de coaching e com eles eu fiz 03 testes: um definia meu tipo de personalidade, o outro minhas âncoras de carreira e o último, minhas forças pessoais.

Foi aí que eu descobri porque me sentia tão sem esperança em relação ao universo jurídico! Meu tipo de personalidade é influente-dominante, gosto muuuuiiiiito de interação social e de poder garantir meus resultados. Sou naturalmente inovadora, informal e descontraída, habilidades que volta e meia tinha que encaixotar pra me adequar ao universo jurídico.

A maioria das minhas forças pessoais está ligada à transcendência (apreciação da beleza e da excelência, gratidão, esperança, bom humor e espiritualidade). Eu tinha pouquíssimo contato com elas na minha rotina jurídica, o que me deixava extremamente apática.

E finalmente, o que mais me chocou foi descobrir minhas âncoras de carreira (as principais motivações pra eu trabalhar). Em uma ordem de importância, estabilidade está entre as últimas. A principal é Autonomia e Independência, seguida de Estilo de Vida e Competência Técnica-Funcional.

Isso significa que eu sou uma pessoa que gosta de definir meu trabalho do jeito que faz mais sentido para mim, sem abrir mão da flexibilidade em relação a onde e como trabalhar. Além disso, sou uma pessoa que valoriza absurdamente o crescimento contínuo, sou inconformada, tenho a necessidade inata de aprender coisas novas e de avançar.

Era por isso que eu me sentia tão infeliz! Eu estava violando a minha forma de apreciar a vida! Esse resultado foi meu primeiro trampolim. A partir disso, me inscrevi em uma formação em coaching, onde mais pontes internas foram restauradas, culminando naquele dia em que meu marido me falou que eu aparentava estar mais leve! Não era só aparência. De fato, algo tinha destravado dentro de mim, eu tinha tomado coragem de assumir minha essência, finalmente saí do armário!!!

Durante todo esse processo de autoconhecimento, aprendi a honrar e respeitar a minha história. Eu amadureci muito, meu nível de satisfação pessoal aumentou drasticamente, Consegui encontrar o meu próprio caminho e sei que tudo que aconteceu comigo foi extremamente necessário para que eu chegasse até aqui, nessa versão atual.

A minha transição em relação ao Direito está acabando. Entreguei -me totalmente ao universo da inteligência emocional. Isso não significa que será um adeus ao mundo jurídico. Eu sinceramente acredito que posso voltar em um formato que seja mais compatível com minhas habilidades, esse apenas não é meu foco atual.

Se hoje eu pudesse voltar ao passado e orientar a Valéria de 13 anos de idade, a única coisa que eu diria pra ela seria “Valéria mermã, tu tá tão iludida! Mas se permita fazer escolhas erradas, porque navegar nas ondas da vulnerabilidade será uma das melhores experiências que você terá na vida!”