O SEGREDO PARA SER CORAJOSO

Já que ontem eu falei sobre medo, hoje o tema será coragem.

Tenho a impressão de que a coragem é tratada de uma forma meio mística, como se apenas alguns seres humanos especiais tivessem sido selecionados para ter essa característica.

Eu, inclusive, até pouquíssimo tempo não me considerava uma pessoa corajosa. Foi a partir de um raciocínio construído pelo professor Cabrera, em uma aula da pós graduação, que eu subitamente percebi que a coragem estava muito presente nas minhas escolhas de vida.

Na ocasião, o professor nos recomendou fazer uma autobiografia a fim de reconhecer os nossos ciclos de vida. À medida que buscava informações a meu respeito, constatei que na maioria das vezes em que precisava tomar uma decisão sempre optava pelo caminho mais difícil.

Por exemplo, aos 10 anos de idade tive que escolher entre morar com os meus pais e comprometer minha educação (já que eles haviam se mudado para uma cidade onde as condições de ensino eram terríveis) ou abrir mão do conforto da minha casa e passar a morar com os meus avós, a fim de estudar em uma escola mais estruturada. Adivinha o que eu decidi?

Aos 13 anos tive a oportunidade de mudar para o Mato Grosso do Sul, a convite de uma tia. Seria algo extraordinário considerando os meus sonhos profissionais, só que ficaria a 3.000km de distância do meu principal núcleo familiar. Já dá pra saber o que eu fiz, não é mesmo?!

Aos 16 anos, ganhei uma bolsa de estudos para uma faculdade particular, mas optei por fazer cursinho e continuar estudando para entrar em uma universidade pública. Ouvi de muitas pessoas que eu era completamente louca, já que tinha estudado a vida inteira na escola pública. Eu preferi “pagar pra ver” e um ano depois estava fazendo a matrícula em Direito na UFMS.

Quando chegou o momento de tirar a habilitação, decidi que queria carro e moto. Teve uma grande parte da família que super me ‘zuava’, me chavama de barbeira e dizia que eu não conseguiria… De fato, não posso dizer que piloto bem uma moto, mas a minha carteira A está garantida!

Tenho muito medo de altura, mas já fui passear no topo da Table Moutain e fiz uma caminhada pelas montanhas do Cabo da Boa Esperança.

No topo da Table Mountain
Na trilha do cabo da Boa Esperança

Tenho muito medo de avião, mas nunca deixei de viajar por causa disso. Embarco tremendo, fecho os olhos na decolagem e são poucas as vezes em que contemplo a paisagem pela janela… Falando nisso, quase tive um ‘passamento” quando inventei de sobrevoar os lençóis maranhenses de monomotor..

Sou ligeiramente claustrofóbica, mas fiz uma passeio de submarino…

Também caminhei com leões quando fui pra Ilhas Maurício…

E além de tudo isso, tomei banho gelado no oceano índico (vejam a minha cara de satisfação):

Também tive a coragem de terminar um relacionamento com a pessoa que eu tinha total convicção de que amava (sofri lascada), porque sentia que não era o melhor momento (hoje nós somos casados, ambos percebemos o que estávamos perdendo haha).

Não vou nem mencionar as inúmeras vezes em que fui desprezada ou rejeitada por ter assumido determinados tipos de posicionamento…

As minhas histórias de vida me fizeram perceber que a minha coragem não é inata, ela sempre esteve associada a um tipo de benefício que eu vislumbrava. Ou seja, na minha opinião, o segredo para ser corajoso é:

APRENDER A SE QUESTIONAR E TER UM OBJETIVO CLARO EM MENTE

Pensando nisso, te proponho as seguintes perguntas:

O que você quer? Por que isso é importante para você?

Quem, além de você, será beneficiado com os resultados da sua coragem?

A longo prazo, o que será mais compensador para você: a coragem para avançar e superar limites ou a estagnação por ocasião do medo?

Que estratégias você pode adotar para tornar a sua escolha menos sofrível?

Com quem você pode contar para trilhar esse novo caminho?

Quando o desânimo bater, o que você poderá fazer para se recarregar emocionalmente ?

Que histórias você deixará de contar porque não ousou confrontar o medo?

Quem você poderia se tornar?

Quem você poderia ajudar, se não tivesse medo?

Não posso dizer que ter coragem é fácil, mas posso dizer que ser corajoso é muito melhor do que viver aprisionado pelo medo. É uma questão de escolha. No final das contas, o ato mais corajoso é ousar ter objetivos.

Vou terminar esse texto com uma musica bem sugestiva: TRAMPOLINE

Pra ti que me leu até o final, mil beijinhos!!

“Ai que meda”

No post anterior eu prometi que hoje te contaria um medo que superei em 2019 e te daria uma dica sobre como administrar seus próprios medos e viver com mais leveza em 2020.

Já falei uma dezena de vezes por aqui que eu sou alguém que teve que aprender a lidar com a síndrome do pânico, ansiedade e depressão. Portanto, o medo é algo muito presente na minha vida, em diferentes dimensões.

Eu sinceramente acredito que a melhor maneira de lidar com esse sentimento que pode ser destruidor, é estabelecendo uma escala de intensidade para que saibamos reconhecê-lo em seus diferentes níveis hierárquicos e assim discernir o momento de recorrer a um profissional habilitado para nos ajudar a confrontá-lo.

Uma vez estabelecido isso, entenda: a minha forma de lidar com o medo pode ser irrelevante para o seu caso, uma vez que o medo é algo extremamente pessoal e circunstancial. Aquilo que para mim representa um terror de nível clínico, pode ser para você um simples desconforto.

De qualquer forma, a minha dica pra você aprender a administrar os seus próprios medos e viver com mais leveza em 2020 é :

CRIE O SEU PORTFÓLIO DE MEDOS!

Sim! Escreva sobre o que você sente, quando sente (gatilho), como sente e onde sente (em que parte do seu corpo a reação de medo se evidencia).

Atribua notas de 1 a 10 para a intensidade das sensações, considerando as experiências que já vivenciou anteriormente.

Preveja as situações e pense antecipadamente sobre como você poderia reagir para combater a paralisia e o mal-estar.

Escreva sobre os eventuais cenários: qual a pior coisa que poderia acontecer? qual a melhor coisa? qual a mais provável?

Ao fazer isso você estará adotando uma postura mais racional, movendo as informações do seu sistema límbico, que é puramente emocional, para o neocórtex pré-frontal, que é a parte do cérebro responsável pelo planejamento de comportamentos e pensamentos complexos.

O simples fato de listar os seus medos e confrontá-los no papel te ajudará a perceber que na grande maioria das vezes é você quem está no controle. E naquelas vezes em que não depender de você, é só respirar profundamente, contar até 10 e repetir para si mesmo: vai passar!

Quero deixar muito claro que essa dica não tem a pretensão de desconsiderar uma abordagem psicológica mais aprofundada.

Finalmente, é hora de compartilhar com você um super medo que eu confrontei em 2019:

O MEDO DE ‘DIRIGIR NA ESTRADA’.

Faz dois anos e meio que moro no interior de MS e até meados de 2019 eu não ousava dirigir sozinha na BR, o que me limitava bastante, especialmente nessa nova rotina de empreendedora.

No final de julho eu fui contratada para ministrar um treinamento no interior do Maranhão. Eu chegaria por volta das 16h em São Luis e teria que contar com a sorte de ter algum transporte disponível para o trajeto até a cidade onde meus pais moram, que fica a uns 370 KM da capital.

Eu já tinha repetido o roteiro de “esperar pela van” todas as vezes em que ia visitar os meus pais no Maranhão e isso sempre me deixava super estressada por causa de todas as circunstâncias que envolviam esse deslocamento (super lotação, muitas paradas, demora excessiva em percorrer o trajeto, atraso dos demais passageiros, etc…).

Decidi que não chegaria para o treinamento esgotada então teria duas opções: ou eu contrataria um motorista particular ou eu mesma pegaria a estrada. Contratar um motorista seria um comprometimento a mais considerando o meu orçamento…

Resultado: fiz uma pesquisa prévia sobre as condições da estrada, montei uma playlist que me deixava energizada, me ofereci para dar carona para uma amiga (extremamente corajosa, diga-se de passagem), aluguei um Jeep e coloquei o motor 1.8 na estrada!

Me senti absolutamente poderosa, apesar do catastrofismo de todos os meus parentes quando souberam que eu estava dirigindo pela esburacada 316-MA!

Encarei o medo, morrendo de medo! Sobrevivi!!! Depois dessa primeira experiência, comecei a me sentir mais confortável dirigindo pelas BR’s sozinhas… Inclusive, vivo me oferecendo para assumir o volante no lugar do meu marido!

Descobri que a maioria dos medos que tenho pode nunca se realizar.. e quando acontecer, se acontecer e eu sobreviver, aprenderei a administrar.

Por fim, também indico uma super estratégia que eu aprendi na saga do Harry Potter : Ridicularizar!!

Riddikulus é um feitiço usado conta bichos-papões. O conjurador deve pensar em alguma coisa engraçada quando está lançando o feitiço. Se for bem sucedido, ele força o Bicho-Papão a tomar a forma em que o conjurador estava pensando. Como os bichos-papões se alimentam do medo, eles são derrotados pelo riso, o objetivo do feitiço é tornar o Bicho-Papão motivo de riso”.

Termino esse post com uma sugestão para a sua playlist para dirigir na estrada:

Baby, you can start again
Laughing in the open air
Have yourself another dream
Tonight, maybe we can start again

(…)
And the sun will shine again
Are you looking for a sign?
Or are you caught up in the lie?