Quem me vê dançando assim…

Julho de 2019 chegou e eu confesso que estava contando os dias!

Há mais ou menos um ano eu comecei a direcionar minhas energias para uma transição de carreira e hoje estou celebrando essa escolha!

Eu tinha 17 anos quando escolhi minha profissão e naquela época tudo que me motivava era ter uma boa situação financeira. Eu achava que o melhor meio de obter isso era tendo uma remuneração alta e estar em um cargo que me proporcionasse estabilidade.

Acabei descobrindo alguns anos depois que equilíbrio financeiro tem muito mais a ver com a forma de pensar sobre o dinheiro do que com a quantidade que se ganha.

Também descobri que ter estabilidade, na maneira como eu imaginava, me limitava. Eu estava me sentindo infeliz exercendo um cargo público temporário, entrei em um ciclo de trabalhar pelo dinheiro, detestava as segundas-feiras, sonhava com o “sextou” e torcia desesperadamente pelos feriados.

A melhor coisa que fiz por mim foi reconhecer que não valia a pena continuar estudando para concursos, já que a rotina de trabalho me deixaria extremamente desanimada. O único problema era que passar em um concurso, durante muito tempo, era o meu único plano.

Eu estava me sentindo muito perdida. Ficava horas a fio me justificando, um dia acordava decidida a buscar outro rumo, outro dia estava de volta aos estudos, chorando e me lamentando.

Uma das coisas que me aliviava era o fato de eu sempre estar investindo em autoconhecimento, então naqueles dias muito ruins eu tinha alguns recursos que me ajudavam a ativar um estado emocional positivo e continuar suportando.

À medida que me confrontava, a clareza ia se aproximando. Fui vasculhar o meu repertório, revisitar as coisas que eu mais gostava de ler, conversar e pesquisar. Notei que sempre estive em busca de desenvolvimento pessoal, adorava abordagens que promoviam autoconhecimento e já tinha um vastíssimo repertório em inteligência emocional. Foi a partir dessa incursão que desenvolvi um novo plano.

De lá pra cá, fiz duas formações em coaching e duas em analista comportamental. Tornei-me microempreendedora, atendi pessoas, ministrei palestras e alguns treinamentos de inteligência emocional. Percebi que não precisava mais de despertador pra levantar e fazer o que eu amo.

Eu trabalho ajudando as pessoas a tomarem decisões assertivas, se conhecerem um pouco mais e terem clareza em relação aos seus objetivos. Também as ajudo a montar e desenvolver seus próprios planos. Aplico testes que auxiliam na descoberta de seus padrões de personalidade, forças pessoais, motivadores de carreira, linguagem de valorização, etc… Meu trabalho é ajudar as pessoas a encontrar sentido. E sabe o que é mais legal? Tudo o que eu faço profissionalmente já aconteceu comigo!

Como diria Sol Almeida, “o mundo gira, palmas pras voltas que o mundo dá.. quem me vê dançando assim, mão pra frente, gira gira, tô limpando você da minha vida”... De fato, estou limpando a atuação jurídica da minha vida!

Ao longo dos meus 28 anos, um dos aprendizados mais significativos que tive foi o de honrar e respeitar a minha própria história e é com esse sentimento de honra que eu encerro essa etapa da minha vida.

Conheci pessoas maravilhosas enquanto fiz parte do mundo jurídico, algumas dessas pessoas caminham até hoje comigo. Igualmente, tive experiências maravilhosas, tais como dia que eu descobri que tinha tirado nota máxima na redação da federal, o que me oportunizou a entrada no curso de direito e o dia que eu li meu nome na lista de aprovados da OAB, ainda no nono semestre da faculdade;

Além disso, casei-me com um colega de faculdade, apaixonado pelo Direito. Ganhei uma amiga que virou irmã (Juliana), outras que cuidaram de mim quando tive depressão (Hannah e Nath), uma que me ensinou absurdamente sobre disciplina (Kiane), outra com quem dividi confidências da juventude e que também dirigiu meu carro durante 6 meses até eu conseguir tirar minha habilitação (Ayara).

Eu também desenvolvi pensamentos ideológicos, comecei a entender algumas realidades políticas e sociais e aprendi a me posicionar melhor como cidadã a partir do meu contato com o universo jurídico. Aprendi bastante com minhas especializações em Direito (previdenciário e trabalhista) e me apaixonei por responsabilidade civil e contratos.

Eu tenho uma história incrível com o Direito, que fez muito sentido para mim até certo tempo. Mas o que me move a partir de agora está relacionado a outras competências, que ao longo de um ano, fui me planejando para começa a executar. Chegou a hora! E novamente, valendo-me de uma licença poética “Joga a mão pra cima e gira, gira…“:

Ps.: Estabilidade não existe!!!! Aviões do Forró acabou…Solanja e Xandinho começaram a seguir carreira solo, ouvi dizer que nem são mais amigos… #arrasada.

EU TENHO A FORÇA

Eu comecei a me preparar para minha transição de carreira em meados do ano passado. Fazia bastante tempo que eu estava insatisfeita com os meus resultados profissionais, então comecei a fazer uma série de levantamentos a respeito do meu histórico pessoal, habilidades e pretensões de vida.

Na época eu tinha a começado a ler um livro chamado “O Mensageiro Milionário”, cuja premissa é auxiliar o leitor a aprender a ser remunerado pelos conhecimentos que tem. Achei simplesmente fantástico!

Verifiquei que eu  já tinha um amplo repertório no tocante à inteligência emocional, construído ao longo da minhas experiências  pessoais, jornada de autodescoberta, cursos e leituras. De fato, esse assunto sempre foi pauta nas minhas elucubrações. Visto isso, cheguei a uma conclusão: é hora de morfar!

Aí veio a parte mais difícil: eu não tinha nenhum botão que pudesse apertar e assim me transformar imediatamente em uma versão poderosa, capaz de assumir corajosamente a responsabilidade pela minha escolha. Então, durante algum tempo fiquei apenas

Esperando meu “alter ego” tomar alguma atitude

Finalmente me permiti caminhar no escuro e depois de 7 meses conclui

E a pergunta que eu deveria ter feito muito antes era “ Valéria Cristina, por que você ficou tanto tempo empacada assim?” 

E eu sabia que a resposta seria “por medo”! Mesmo assim,

A despeito disso, no final eu venci!


Virei Pessoa Jurídica e estou trabalhando com desenvolvimento pessoal. E se você quiser entender um pouquinho mais sobre si mesmo, é só me mandar um sinal!

VLWS, FLWS!

P.S. 01: A minha receita de sucesso foi aprendida com Sandy & Junior:

Muita coragem
E agilidade
Lealdade
E sempre em boa forma” .

P.S.02: Eu sempre quis ser a Power Ranger rosa!!!


2018, O ANO QUE EU DECIDI “SAIR DO ARMÁRIO”

Eu tinha 27 anos. Há 9 deles estava sofrendo com a indefinição, foi um processo demorado e doloroso, mas eu finalmente me assumi, é tão maravilhoso “sair do armário!”

Lembro-me muito bem da cara de choque do meu marido, a primeira coisa que ele me perguntou foi: “o que aconteceu contigo”?!

Eu tinha acabado de vivenciar mais um momento “Eureka”. Estava em  uma formação de coaching, e naquele dia tinha feito uma ferramenta chamada  linha do tempo. A partir dela, consegui juntar os fios soltos da minha história e era o que eu precisava pra me posicionar em relação a algo que me incomodava há bastante tempo.

Minha história é marcada por reiteradas incursões de autoconhecimento. Essa vontade insaciável de descobrir  minha essência e qual é meu papel no mundo me acompanha por longa data.

Aos 13 anos saí do Maranhão com um plano bem definido. Minha meta envolvia morar em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, concluir o ensino médio, fazer faculdade, arrumar um bom emprego, comprar uma Pajero Full, ter uma coleção de Tailleur e outra de vestidos tubinho.

Pois bem, terminei o ensino médio, passei em Direito na UFMS, mas no segundo ano de faculdade meu plano perdeu o sentido, já que eu não me identificava com minha escolha profissional.

Durante a faculdade tive que aprender a administrar a depressão, crises de ansiedade e síndrome do pânico. Eu não tinha perspectiva de futuro, apesar de me considerar uma pessoa com ótimos resultados até então. Era a “retirante nordestina” que tinha feito escola pública e passado no vestibular da Federal com nota máxima na redação.

Fiquei no Direito com uma única motivação: estabilidade! Coloquei na cabeça que tudo que eu precisava fazer era passar em um concurso e depois disso ficaria livre pra pensar sobre vida, já que dinheiro não seria mais uma preocupação.

A faculdade acabou em dezembro de 2013, eu tinha passado na OAB uns 06 meses antes, então tudo que eu sentia era uma grande pressão. Não gostei da minúscula experiência que tive com a advocacia e assim reforcei minha crença de que passar em um concurso era minha única opção.

Nesse  período de  pós faculdade eu fiz terapia, me envolvi com processos de coaching, fiz aula de teoria musical, clarinete, saxofone, automaquiagem, passei em um processo seletivo e cursei durante um semestre um curso de “técnico em cozinha”. Aprendi a administrar melhor meu dinheiro, maratonei várias séries, li dezenas de livros, dei aula na igreja  e no tempo que sobrava eu recorria ao meu material:  Como passar em provas e concursos.

Não precisava de muita observação para perceber que eu não tinha vontade nenhuma de ser aprovada em um concurso público. O fato é que durante todo esse tempo eu nunca tive o comprometimento necessário com o desafio de alcançar uma nomeação. Eu não me considerava irresponsável, meu único problema era a ausência de realização quando eu me imaginava na rotina de funcionária pública.  

Até meados de 2018 eu flertei com meu lado sombrio de concurseira (risos de nervoso…por que cargas d ‘agua perdi tanto tempo?!). Eu sabia que não queria ser funcionária pública mas tinha medo de largar a única chance que eu tinha de obter estabilidade.

Certo dia, em uma dessas voltas que o mundo dá, tive contato com uma escola de coaching e com eles eu fiz 03 testes: um definia meu tipo de personalidade, o outro minhas âncoras de carreira e o último, minhas forças pessoais.

Foi aí que eu descobri porque me sentia tão sem esperança em relação ao universo jurídico! Meu tipo de personalidade é influente-dominante, gosto muuuuiiiiito de interação social e de poder garantir meus resultados. Sou naturalmente inovadora, informal e descontraída, habilidades que volta e meia tinha que encaixotar pra me adequar ao universo jurídico.

A maioria das minhas forças pessoais está ligada à transcendência (apreciação da beleza e da excelência, gratidão, esperança, bom humor e espiritualidade). Eu tinha pouquíssimo contato com elas na minha rotina jurídica, o que me deixava extremamente apática.

E finalmente, o que mais me chocou foi descobrir minhas âncoras de carreira (as principais motivações pra eu trabalhar). Em uma ordem de importância, estabilidade está entre as últimas. A principal é Autonomia e Independência, seguida de Estilo de Vida e Competência Técnica-Funcional.

Isso significa que eu sou uma pessoa que gosta de definir meu trabalho do jeito que faz mais sentido para mim, sem abrir mão da flexibilidade em relação a onde e como trabalhar. Além disso, sou uma pessoa que valoriza absurdamente o crescimento contínuo, sou inconformada, tenho a necessidade inata de aprender coisas novas e de avançar.

Era por isso que eu me sentia tão infeliz! Eu estava violando a minha forma de apreciar a vida! Esse resultado foi meu primeiro trampolim. A partir disso, me inscrevi em uma formação em coaching, onde mais pontes internas foram restauradas, culminando naquele dia em que meu marido me falou que eu aparentava estar mais leve! Não era só aparência. De fato, algo tinha destravado dentro de mim, eu tinha tomado coragem de assumir minha essência, finalmente saí do armário!!!

Durante todo esse processo de autoconhecimento, aprendi a honrar e respeitar a minha história. Eu amadureci muito, meu nível de satisfação pessoal aumentou drasticamente, Consegui encontrar o meu próprio caminho e sei que tudo que aconteceu comigo foi extremamente necessário para que eu chegasse até aqui, nessa versão atual.

A minha transição em relação ao Direito está acabando. Entreguei -me totalmente ao universo da inteligência emocional. Isso não significa que será um adeus ao mundo jurídico. Eu sinceramente acredito que posso voltar em um formato que seja mais compatível com minhas habilidades, esse apenas não é meu foco atual.

Se hoje eu pudesse voltar ao passado e orientar a Valéria de 13 anos de idade, a única coisa que eu diria pra ela seria “Valéria mermã, tu tá tão iludida! Mas se permita fazer escolhas erradas, porque navegar nas ondas da vulnerabilidade será uma das melhores experiências que você terá na vida!”